27/02/16

A JANELA

Há dias que te abres para mim
Descerras as trancas fechadas na calma
Meus olhos atravessam-te as vidraças
Enquanto desfilas ao som da valsa a tua alma
Nas ruas feitas de pedras enfileiradas,
Em acrobacias humanas das íngremes calçadas!

Vislumbro a organza das tuas cortinas
Saudade balouça na fragrância da tua ternura
E as lágrimas no meu rosto rolando vão,
Quero-te beijar sentir o gosto da tua pele fina
O teu odor aspiro em melancólica doçura
E solitária troteio uma doce canção!

Há dias que te fechas para mim
Trancas com ferrolhos o teu coração
Ouço os rangidos das enferrujadas junções 
Trancada a janela só me resta escutar
O teu carinho mudo num sussurrar 
Eu venho espera por mim!

Paz e Bem

Josélia Micael

3 comentários:

Pedro Luso disse...

Josélia,
Gostei muito de "A janela", seu belo poema, de expressiva sensibilidade.
Parabéns, minha amiga.
Abraços.
Pedro.

Toninho disse...

Ouvindo o fado e lendo esta inspiração neste olhar para a janela onde se fecham as solidões as emoções e abre-se uma réstia de esperanças pelas frestas.Há sentimento que tanto nos maltrata e que criam belos poemas.
Uma semana de paz no coração amiga e que a poesia possa nos aliviar a dor.
Carinhoso abraço de toda paz.
Beijo no coração.

Patrícia Pinna disse...

Boa noite, Josélia. Quando as janelas se trancam causam muita dor, contudo, uma fresta bem discreta aparece no meio da desesperança.
Quando o coração se abre e as janelas escancaradas ficam,existe o frescor do vento a passear em nosso rosto e promover felicidade.
Grande sua sensibilidade.
Beijos na alma e paz.