terça-feira, 19 de agosto de 2014

CONTEMPLO O QUE NÃO VEJO

Contemplo o que não vejo,
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo,
Está parado entre o muro!

Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além:
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém!

Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso!

Confunde-se com o que existe,
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste,
Mas triste, é o que sou!

(Fernando Pessoa)

Josélia Micael

2 comentários:

✿ chica disse...

Poesia linda e sempre agrada ver e ler Pessoa! beijos, obrigadão por já estar lá no novo blog de domingos e acabei de colocar teu link na lista,por lá! bjs, chica

Josélia Micael disse...

Muito obrigada, amiga!
pelo comentário... que é muito bom de ler!
Acompanho seus blogs com muito prazer, gosto muito de a ler!
Bjo enorme no coração, Josélia

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